História de Vida

Em 1935, Campinas já era uma das principais cidades do Estado de São Paulo, mas nem de longe lembrava a imensa metrópole que viria a se toar. Em 24 de outubro daquele ano, na fazenda Santa Genebra, área rural da cidade, seu Angelo e dona Rosalina Sellin, um casal de descendentes de italianos que ganhava seu sustento na lida da fazenda, comemorava o nascimento de seu primeiro filho, Francisco .

Desde pequeno, Francisco ajudou os pais com os serviços da fazenda. Crescendo entre gente simples e trabalhadora como ele, o garoto aprendeu cedo a importância do trabalho honesto. Também em seus primeiros anos de vida, o garoto Francisco acompanhou de perto - e, muitas vezes, viveu na própria pele - as dificuldades que uma população de baixa renda encontra na luta por moradia decente, educação para seus filhos, saúde e trabalho para todos. Era uma vida dura, mas faziamos o possível para viver bem. Foram dias felizes, relembra Sellin, com saudade.

Até os 13 anos, Sellin morou na Santa Genebra e caminhava todos os dias cerca de oito quilometros para chegar até a escola onde estudava, a Castorina Cavalheiro, no Bairro Guanabara. "Era muito chão para se andar, mas valia a pena: meus pais sempre diziam que uma pessoa tinha que se educar para ajudar a si mesma e aos demais", conta. Aos 14, ele foi morar na fazenda que viria a se toar o Hotel Fazenda Solar das Andorinhas. "Na fazenda trabalhei muito na roça, inclusive conduzindo trator", diz.

Ainda jovem, Sellin conheceu o grande amor da sua vida, Aparecida Pellegrini, que viria a toar-se mãe de seus quatro filhos (Odair, Cleuza, Sandra e Denise) e avó de seus seis netos (Érica, Victor, Bruna, Renata, Henrique e Patrícia). Apaixonado, Sellin casou-se aos 18 anos com "dona Cida", com quem ainda hoje divide sua vida. "Ela a melhor companheira que um homem poderia ter. E é uma mulher linda", diz.

  

Guarda Civil


Dois anos após o casamento, Sellin entrou na Guarda Civil do Estado de São Paulo. "Gostava muito da idéia de poder ajudar meu semelhante e precisava de um bom emprego para sustentar minha família, que já começava a crescer. A guarda me deu as duas coisas."
Sellin lembra-se daqueles tempos com muita alegria.

"Na Guarda, aprendi o sentido de palavras como união, honra e amor ao próximo", conta.
Em 1970, com a unificação da Guarda Civil à Força Pública, Sellin foi incorporado à Polícia Militar do Estado de São Paulo - inicialmente como 3º Sargento - e, na corporação, prestou serviços nas mais diversas áreas: Rádio Patrulha, Trânsito, Diversões Públicas e, por fim, optou em seguir carreira dentro da Polícia Rodoviária. Iniciava-se ali uma vida de aventura e emoções, que marcaria Sellin para sempre.
"A Polícia Rodoviária foi para mim uma família e uma chance de trabalhar mais diretamente com a população", conta.

 

Policial Rodoviário


Os anos como Policial Rodoviário trazem grandes lembranças a Sellin. "A Polícia Rodoviária prestava grandes serviços aos viajantes, tanto que houve até um seriado de televisão, chamado Vigilante Rodoviário, no qual o herói era um integrante da força, o ''Comandante Carlos''", conta Sellin, que anos depois chegou a conhecer pessoalmente o famoso Vigilante.

Em 1976, Sellin também executou um trabalho de grande destaque profissional dentro da Polícia  Rodoviária: foi ele o responsável pela implantação do serviço de radar nas estradas estaduais de São Paulo, um serviço que reduziu significativamente o número de acidentes rodoviários.

Os policiais rodoviários, conta Sellin, eram verdadeiros anjos da estrada, fiscalizando a lei e ajudando os motoristas. Sellin lembra, em especial, de uma ocasião na qual ajudou a salvar a vida de uma moça envolvida em um grave acidente na estrada entre Tapiritiba e Guaxupé. "Tempos depois,o comando recebeu uma carta emocionada da mãe da moça, que chamava-se Sandra, me agradecendo. No fim, acabei conhecendo a moça, fui padrinho de casamento dela e até mesmo padrinho de seu filho. Sabe qual o nome dele? Francisco!", diz Sellin, emocionado. Até hoje ele guarda a carta (Clique aqui para ler a carta), recebida em 1975, como um tesouro pessoal.

Em 1986, Sellin passou para a reserva da Polícia Rodoviária, com o cargo de Segundo Tenente, levando consigo, além de centenas de experiências e lembranças, uma série de menções honrosas por serviços prestados à comunidade e medalhas de bronze e de prata concedidas por goveadores do Estado (ele viria a ganhar ainda, futuramente, a Medalha e Diploma MMDC - em 95 homenagem que é oferecida a personalidades que honraram ou prestaram algum serviço relevante a São Paulo ou à Revolução Constitucionalista) e a Medalha Tobias Aguiar (a mais alta condecoração da Polícia Militar. Instituída em 1965, o prêmio é concedido a pessoas ou entidades que promoveram algum tipo de ação que beneficia ou que já beneficiou a sociedade como um todo).

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